Qual é a hora de levar uma criança para uma avaliação com neuropsicólogo e neuropediatra?
Ao longo do tempo de atendimento clínico, como neuropsicóloga, tenho ouvido de muitos pais que levam seus filhos em consulta com suspeita de terem algum tipo de Transtorno do Desenvolvimento como Transtorno de Espectro Autista, TEA, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, TDAH, ou Transtorno de Aprendizagem, que se arrependem por não terem procurado ajuda mais cedo.
TDAH Neuropediatra e o Otorrino
Muito frequentemente, antes de buscar ajuda, passaram um tempo considerável ouvindo de familiares, professores e até amigos próximos: que poderia haver algo de errado no comportamento do filho, que deveriam levá-lo ao médico ou procurar ajuda psicológica porque já passou a idade dessa criança falar, que ele é muito agitado, agressivo e não presta atenção em sala de aula. Ou, ainda, que tem dificuldade para aprender, é desobediente, desafia regras, e não consegue se relacionar tranquilamente com os colegas.
Ouvir isso de outras pessoas, mesmo as mais próximas, pelo que tenho observado, pode despertar sentimentos e impressões diferentes nos pais. Alguns, após passarem mais uns meses atentos aos comportamentos da criança e às queixas da escola, resolvem finalmente buscar ajuda. Contudo, para outros pais, o processo é um pouco mais longo e difícil.
Ouvir que seu filho tem dificuldades de comportamento, dificuldades do sono, relacionamento interpessoal e aprendizagem pode despertar nesses pais sentimentos de rejeição das outras pessoas pela criança e por eles mesmos, culpa por estarem falhando como educadores e, finalmente, medo de que suas crianças realmente tenham ‘problemas mentais’. Esse costuma ser o significado pejorativo primeiro associado à fala ‘dificuldade com alguma habilidade cognitiva ou social’. Invariavelmente, o receio de um diagnóstico envolvendo ‘Retardo Mental’, classificação que foi banida dos manuais de neurologia e psiquiatria provavelmente pela carga de preconceito que absorveu para si ao longo dos tempos, intensifica os sentimentos de rejeição e culpa, além de desperta temor intenso pelo futuro incerto do filho.
Até vinte ou trinta anos atrás, receber um diagnóstico de Autismo, Disfunção Cerebral Mínima, como era conhecido o TDAH, ou ter dificuldade para aprender a ler e a escrever e para aprender operações de soma, subtração, divisão e multiplicação possivelmente significava uma sentença de exclusão, no mínimo. As escolas não sabiam como agir com a criança e ela passava a ser vista como um problema e uma ameaça às outras crianças. Portanto, os receios dos pais não são injustificados. Sem contar que muito deles também podem ter tido as mesmas dificuldades na infância e ter sentido na pele o que é sofrer bullyng, ser deixado de lado pelos professores e pela escola, ser visto como aquele que nunca daria certo na vida por ter nascido com um ‘defeito genético’.
Tudo o que acontece com os filhos, principalmente na infância, recai sobre os pais. Portanto, é de se esperar que desperte neles sentimentos conflituosos que acionem defesas como a negação sobre as dificuldades dos filhos, por exemplo. Uma espécie de bloqueio psicológico que os impedem de enxergar o que para outras pessoas pode parecer o óbvio.
É importante falar sobre isso porque é muito mais comum do que parece. Apesar de ser solidária ao sofrimento dos pais, é preciso que saibam que o diagnóstico e a intervenção precoces são muito importantes nos casos de Transtornos do Desenvolvimento, principalmente quanto maiores forem as dificuldades das crianças.
Apesar das características individuais de cada um, o nosso desenvolvimento, desde o nascimento, é marcado por alguns fenômenos biológicos característicos da nossa espécie, além da influência do ambiente e do meio cultural. O bebê humano nasce com muito poucos comportamentos reflexos, ou instintivos. Ele vai aprender através da reação aos estímulos, e da assimilação das experiências de suas vivências. Uma vez incorporadas as experiências ao seu esquema de resolução de problemas, isso irá modifica-lo e permitirá a continuidade do desenvolvimento de suas habilidades mentais e inteligência. Porém, para que esses esquemas de assimilação e modificação de comportamentos, que Jean Piaget, um dos pais da Psicologia do Desenvolvimento, chama de Assimilação e Acomodação aconteçam é necessário que etapas do amadurecimento cognitivo relacionadas à idade biológica sejam atingidas. Ou seja, que o desenvolvimento do cérebro siga seu curso normal. Se isso acontecer e a criança estiver num ambiente que lhe propicie estimulação motora, cognitiva e afetiva adequadas, atingirá estágios de desenvolvimento comuns a todas as outras de sua espécie.
Espera-se, por exemplo, que ainda no útero materno o feto seja capaz de reagir a estímulos sonoros. Após o nascimento, de zero aos seis meses, espera-se dos bebês que: reaja aos estímulos ambientais alterando o comportamento de forma significativa através de sorrisos e choros, que riam e murmurem para pessoas conhecidas, reaja às vozes altas ou não amigáveis, volte-se na direção de novos sons, balbucie pedindo atenção, faça vocalizações generalizadas, observe sua mão, reaja ao seu nome, sente-se sem apoio.
Já com oito meses, espera-se que a criança: toque sua própria imagem refletida nos espelhos, produza quatro ou mais sons diferentes, use frequentemente as sílabas “ba-da-ka”, transfira objetos de uma mão para outra. Vocalize com variação de entonação frente aos diferentes estímulos, tente imitar sons, comece a engatinhar.
De doze a dezoito meses, o esperado é: que reconheça seu nome, entenda “não”, compreenda ordens simples, imite palavras familiares, acene com a mão (tchau), fale duas ou três palavras além de papai e mamãe, emita sons de coisas e animais familiares, dê um brinquedo quando lhe pedem, ouça bem e discrimine vários sons, reconheça palavras como símbolos de um objeto – carro, aponta a garagem, entenda verbos que representem ações concretas e relativos a suas próprias necessidades – “mais, quer, acabou. Dá”, identifique pelo menos quatro objetos familiares sob nomeação.
Quando esses estágios não são alcançados, principalmente se envolve atraso em mais de uma habilidade (fala, reagir aos sons, afetividade pobre, dificuldade com alimentação, atraso motor- demorar para andar e ser muito desajeitado, não olhar nos olhos, etc), ou se acontecem de um modo notadamente diferente das outras crianças da mesma idade, é a hora de procurar ajuda.
Os recursos do qual dispomos atualmente permite que diagnósticos sejam realizados a partir de um ano e seis meses e que as intervenções sejam realizadas imediatamente após o diagnóstico. A criança não será mais excluída, existem leis que lhe garanta que permaneçam na escola e que, se for o caso, conte com um profissional mediador. Os pais podem ser assessorados por equipe de multiprofissionais que além de acompanhar o filho também poderão orientá-los sobre como proceder com o comportamento da criança para facilitar sua adaptação ao ambiente. E a estimulação cognitiva pode promover maior desenvolvimento das habilidades comprometidas.
Transtorno do desenvolvimento não significa Deficiência Intelectual. Até podem vir acompanhados desse quadro, mas não necessariamente. É importante que se saiba que a diferença, Déficit Intelectual envolve atraso global, de todas as habilidades mentais, de tal maneira que comprometa significativamente a autonomia, a realização das atividades diárias esperadas, da criança. Ela só pode ser diagnosticada com eficiência através de testes psicológicos e neuropsicológicos. Da mesma maneira os Transtornos de Aprendizagem. Já Transtornos do Desenvolvimento descrevem dificuldades com habilidades específicas (linguagem, raciocínio matemático, atenção e concentração, escrita, etc.) associadas a um modo diferente do cérebro processar essas informações, e não comprometem a inteligência geral da criança. Podem, contudo, ser um fator de risco para o surgimento de ansiedade e baixa autoestima, em função das dificuldades percebidas por ela, e até um quadro de depressão. É muito importante procura ajuda cedo.
TDAH Neuropediatra e o Otorrino
Muito frequentemente, antes de buscar ajuda, passaram um tempo considerável ouvindo de familiares, professores e até amigos próximos: que poderia haver algo de errado no comportamento do filho, que deveriam levá-lo ao médico ou procurar ajuda psicológica porque já passou a idade dessa criança falar, que ele é muito agitado, agressivo e não presta atenção em sala de aula. Ou, ainda, que tem dificuldade para aprender, é desobediente, desafia regras, e não consegue se relacionar tranquilamente com os colegas.
Ouvir isso de outras pessoas, mesmo as mais próximas, pelo que tenho observado, pode despertar sentimentos e impressões diferentes nos pais. Alguns, após passarem mais uns meses atentos aos comportamentos da criança e às queixas da escola, resolvem finalmente buscar ajuda. Contudo, para outros pais, o processo é um pouco mais longo e difícil.
Ouvir que seu filho tem dificuldades de comportamento, dificuldades do sono, relacionamento interpessoal e aprendizagem pode despertar nesses pais sentimentos de rejeição das outras pessoas pela criança e por eles mesmos, culpa por estarem falhando como educadores e, finalmente, medo de que suas crianças realmente tenham ‘problemas mentais’. Esse costuma ser o significado pejorativo primeiro associado à fala ‘dificuldade com alguma habilidade cognitiva ou social’. Invariavelmente, o receio de um diagnóstico envolvendo ‘Retardo Mental’, classificação que foi banida dos manuais de neurologia e psiquiatria provavelmente pela carga de preconceito que absorveu para si ao longo dos tempos, intensifica os sentimentos de rejeição e culpa, além de desperta temor intenso pelo futuro incerto do filho.
Até vinte ou trinta anos atrás, receber um diagnóstico de Autismo, Disfunção Cerebral Mínima, como era conhecido o TDAH, ou ter dificuldade para aprender a ler e a escrever e para aprender operações de soma, subtração, divisão e multiplicação possivelmente significava uma sentença de exclusão, no mínimo. As escolas não sabiam como agir com a criança e ela passava a ser vista como um problema e uma ameaça às outras crianças. Portanto, os receios dos pais não são injustificados. Sem contar que muito deles também podem ter tido as mesmas dificuldades na infância e ter sentido na pele o que é sofrer bullyng, ser deixado de lado pelos professores e pela escola, ser visto como aquele que nunca daria certo na vida por ter nascido com um ‘defeito genético’.
Tudo o que acontece com os filhos, principalmente na infância, recai sobre os pais. Portanto, é de se esperar que desperte neles sentimentos conflituosos que acionem defesas como a negação sobre as dificuldades dos filhos, por exemplo. Uma espécie de bloqueio psicológico que os impedem de enxergar o que para outras pessoas pode parecer o óbvio.
É importante falar sobre isso porque é muito mais comum do que parece. Apesar de ser solidária ao sofrimento dos pais, é preciso que saibam que o diagnóstico e a intervenção precoces são muito importantes nos casos de Transtornos do Desenvolvimento, principalmente quanto maiores forem as dificuldades das crianças.
Apesar das características individuais de cada um, o nosso desenvolvimento, desde o nascimento, é marcado por alguns fenômenos biológicos característicos da nossa espécie, além da influência do ambiente e do meio cultural. O bebê humano nasce com muito poucos comportamentos reflexos, ou instintivos. Ele vai aprender através da reação aos estímulos, e da assimilação das experiências de suas vivências. Uma vez incorporadas as experiências ao seu esquema de resolução de problemas, isso irá modifica-lo e permitirá a continuidade do desenvolvimento de suas habilidades mentais e inteligência. Porém, para que esses esquemas de assimilação e modificação de comportamentos, que Jean Piaget, um dos pais da Psicologia do Desenvolvimento, chama de Assimilação e Acomodação aconteçam é necessário que etapas do amadurecimento cognitivo relacionadas à idade biológica sejam atingidas. Ou seja, que o desenvolvimento do cérebro siga seu curso normal. Se isso acontecer e a criança estiver num ambiente que lhe propicie estimulação motora, cognitiva e afetiva adequadas, atingirá estágios de desenvolvimento comuns a todas as outras de sua espécie.
Espera-se, por exemplo, que ainda no útero materno o feto seja capaz de reagir a estímulos sonoros. Após o nascimento, de zero aos seis meses, espera-se dos bebês que: reaja aos estímulos ambientais alterando o comportamento de forma significativa através de sorrisos e choros, que riam e murmurem para pessoas conhecidas, reaja às vozes altas ou não amigáveis, volte-se na direção de novos sons, balbucie pedindo atenção, faça vocalizações generalizadas, observe sua mão, reaja ao seu nome, sente-se sem apoio.
Já com oito meses, espera-se que a criança: toque sua própria imagem refletida nos espelhos, produza quatro ou mais sons diferentes, use frequentemente as sílabas “ba-da-ka”, transfira objetos de uma mão para outra. Vocalize com variação de entonação frente aos diferentes estímulos, tente imitar sons, comece a engatinhar.
De doze a dezoito meses, o esperado é: que reconheça seu nome, entenda “não”, compreenda ordens simples, imite palavras familiares, acene com a mão (tchau), fale duas ou três palavras além de papai e mamãe, emita sons de coisas e animais familiares, dê um brinquedo quando lhe pedem, ouça bem e discrimine vários sons, reconheça palavras como símbolos de um objeto – carro, aponta a garagem, entenda verbos que representem ações concretas e relativos a suas próprias necessidades – “mais, quer, acabou. Dá”, identifique pelo menos quatro objetos familiares sob nomeação.
Quando esses estágios não são alcançados, principalmente se envolve atraso em mais de uma habilidade (fala, reagir aos sons, afetividade pobre, dificuldade com alimentação, atraso motor- demorar para andar e ser muito desajeitado, não olhar nos olhos, etc), ou se acontecem de um modo notadamente diferente das outras crianças da mesma idade, é a hora de procurar ajuda.
Os recursos do qual dispomos atualmente permite que diagnósticos sejam realizados a partir de um ano e seis meses e que as intervenções sejam realizadas imediatamente após o diagnóstico. A criança não será mais excluída, existem leis que lhe garanta que permaneçam na escola e que, se for o caso, conte com um profissional mediador. Os pais podem ser assessorados por equipe de multiprofissionais que além de acompanhar o filho também poderão orientá-los sobre como proceder com o comportamento da criança para facilitar sua adaptação ao ambiente. E a estimulação cognitiva pode promover maior desenvolvimento das habilidades comprometidas.
Transtorno do desenvolvimento não significa Deficiência Intelectual. Até podem vir acompanhados desse quadro, mas não necessariamente. É importante que se saiba que a diferença, Déficit Intelectual envolve atraso global, de todas as habilidades mentais, de tal maneira que comprometa significativamente a autonomia, a realização das atividades diárias esperadas, da criança. Ela só pode ser diagnosticada com eficiência através de testes psicológicos e neuropsicológicos. Da mesma maneira os Transtornos de Aprendizagem. Já Transtornos do Desenvolvimento descrevem dificuldades com habilidades específicas (linguagem, raciocínio matemático, atenção e concentração, escrita, etc.) associadas a um modo diferente do cérebro processar essas informações, e não comprometem a inteligência geral da criança. Podem, contudo, ser um fator de risco para o surgimento de ansiedade e baixa autoestima, em função das dificuldades percebidas por ela, e até um quadro de depressão. É muito importante procura ajuda cedo.
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